Muito prazer, meu nome é Dinossauro!

Postado Quinta-feira 18 Fevereiro 2010

Sempre ouvi dizer que existem pessoas que desligam os neurônios da razão quando ligam os da emoção… Não quero correr esse risco, procuro manter ligados os meus na medida do possível, mas está ficando difícil… Dominar emoções é algo que precisa ser cultivado; provocações e ofensas precisam ser digeridas antes de serem colocadas nos seus lugares. Felizmente existem coisas mais importantes na vida, que nos deixam felizes e nos completam como seres humanos. Procuro ficar próximo do equilíbrio, aprendi que três coisas podem mostrar o que o homem é: sua taça quando transborda, sua bolsa quando está vazia, e a sua ira. Estou tranqüilo: bebo pouco, vivo com o que ganho, e uma eventual ira ainda é administrável…

Estou dando esta “volta” para chegar onde realmente pretendo: continuar não sendo omisso. Digo isso porque estou assistindo a uma tentativa - por parte de alguns - de espalhar a discórdia entre servidores da Polícia Federal, instituição que servi, com orgulho, por mais de trinta anos. Usando a faculdade que a democracia concede a todos, não concordo quando eles defendem uma nova ordem baseada no conceito de que os seres humanos nascem prontos. Um sábio ensinou que “ideias não são metais que se fundem”, mas, mesmo respeitáveis, elas não podem ser usadas como pretexto para jogar no lixo valores consagrados como história e experiência. Para eles - citando apenas dois exemplos-, primeiro e segundo pilotos ocuparem uma cabine de avião é anacrônico, e perder tempo no posto de coronel até chegar a general deve ser desnecessário. A diferença de salário deve ser reduzida a centavos, carreira é algo anacrônico, totalmente ultrapassado…

Quem discordar é chamado de dinossauro. Como discordo, sou mais um “Dino” da praça… Aos que não me conhecem, muito prazer! Procurei lembrar quem foram os dinossauros… É uma denominação comum a diversos répteis… Tinham proporções gigantescas, fato que me deu um certo conforto, pois, apesar dos desafetos dizerem o contrário, me considero um cara “sarado” - talvez não seja comigo… Relembrei que os “Dinos” viveram no período Mezozoico e se extinguiram há cerca de 65 milhões de anos. Relaxei: vivo na contemporaneidade, embora existam controvérsias, ainda não fui extinto… Mas tudo o que é bom termina logo: o termo é usado também para designar indivíduos considerados anacrônicos ou ultrapassados. Meu “faro” sinalizou que é por essa porta que estou entrando…

Anacrônico e ultrapassado! Uma dúvida me assaltou… O que alguns consideram anacrônico e ultrapassado? As pessoas ou as ideias? Se forem as pessoas, deve ser pela idade. Parece que alguém chegar antes deles no mundo é crime inafiançável. Parece que não existe absolvição nem atenuante para isso. Poderiam lembrar de Picasso, Neruda, Churchill, Fred Astaire, Ágata Cristhie, Sobral Pinto ou Ulysses Guimarães. Ou gente como Niemayer, Mandela, Roberto Carlos, Saramago e tantos outros que continuam lúcidos e produtivos mostrando que ideias não “envelhecem” por decreto. A contrariu sensu, apesar de também existirem jovens talentosos e brilhantes, não precisaremos fazer muito esforço para lembrarmos de outros que não precisam envelhecer para mostrar que podem ser taxados de dinossauros e ultrapassados.

Alguns acham que os lugares dignificam as pessoas. Eles precisam saber que não é nada disso, são as pessoas que dignificam os lugares… Legal, escrevam a sua história, disseminem a discórdia e ofendam pessoas honradas, mas, por favor, deixem para as novas gerações uma Polícia Federal melhor. Fazer críticas desfrutando tudo de bom que outros construiram é cômodo. Executem a “revolução” que pregam. Se faltarem ideias, lembrem dos “dinossauros”. Eles encontraram uma polícia mal remunerada, ocupando prédios decadentes, com armas desatualizadas, sem verba para combustível e não se conformaram. Ajudaram a construir uma polícia respeitada, com sindicatos fortes e atuantes, associações organizadas, com salários dignos, informatizada, com viaturas modernas, pagando diárias em dia, com exigência de nível superior para ingresso, e por aí afora. Lutem, sem ofensas, por algo melhor do que isso.

Muitos não concordarão comigo. Alguns poderão até repetir críticas de gente que não conseguiu perceber que o governo só melhorou a Polícia Federal depois de ser pressionado por greves e articulações políticas. Não será a primeira vez. Já li muitas, direcionadas a opiniões que externei em textos publicados em sites prestigiados como o da Federação Nacional dos Policiais Federais, Observatório da Imprensa, Consultor Jurídico, Associação Nacional dos Procuradores da República, Federação Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais, e muitos outros, sem falar nas páginas dos Sindicatos de Policiais Federais de quase todo o país. Se insistirem em continuar usando o “dinossauro”, ainda assim entenderei… Embora não fuja de polêmicas, informo que só admito diálogo em alto nível, tenho coisas mais importantes para fazer.

Finalmente deixo claro que se Dinossauro é o nome que escolheram para designar quem tem orgulho de seu passado, estou realizado. Se rotularem de ultrapassado alguém que, juntamente com muitos outros, desbravou este país, viajando a pé, no lombo de jumentos, de helicóptero, de avião e barco, andando nos mais distantes rincões, aldeias de índios, garimpos, fronteiras, quilombolas e também no exterior, ajudando a construir uma Polícia Federal como a que temos hoje, estou mais do que feliz. Reitero que não acho que a polícia atual é melhor do que a de antes e muito menos pior. Cada uma viveu e vive no seu tempo, elas são apenas diferentes. O mundo mudou, a Polícia Federal não seria a única instituição imutável. Tomara que alguns policiais do ano 2030 não façam as mesmas críticas, chamando os policiais de hoje de dinossauros e ultrapassados por serem do tempo dos grampos, do GPS, do notebook, do inquérito policial, dos celulares e das pirotecnias televisivas. Certamente, como fizeram seus antecessores, os policiais de hoje deixarão para eles uma polícia condizente com seu tempo, prestigiada e admirada pela população.

PS: Se a memória se dissolve, o homem se dissolve.
Octávio Paz , Prêmio Nobel de Literatura

Valacir @ 5:17 pm
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Postado Quarta-feira 20 Janeiro 2010

Valacir @ 8:48 pm
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Postado Sábado 9 Janeiro 2010

Valacir @ 9:35 pm
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Postado Terça-feira 29 Dezembro 2009

Valacir @ 9:56 am
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Postado Segunda-feira 21 Dezembro 2009

Valacir @ 8:15 pm
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Valacir @ 10:38 am
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Valacir @ 5:35 pm
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Postado Quinta-feira 12 Novembro 2009

Valacir @ 11:34 am
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Valacir @ 10:26 am
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Postado Sexta-feira 16 Outubro 2009

Valacir @ 10:12 am
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